sobre
o projeto
ISAsoundBOX é um projeto de criação artística interdisciplinar que está estruturado como uma coleção de esculturas. Estas peças contemplam uma dimensão participativa em que o público é convidado a experimentar a obra de arte de forma tácita, em complemento à sua contemplação. Uma simbiose e uma tensão entre a ideia de um objecto de fruição, o lugar do objeto de arte, e o objeto utilitário, ainda que este não se deixe prender no estatuto exclusivo de instrumento.
Numa frase, são caixas que fazem som. Mas aqui o som é tratado como algo tangível e palpável que se supõe como interveniente no nosso corpo. Nas esculturas ISAsoundBOX a dimensão sonora é tratada como um fenómeno material, em detrimento de um evento cultural musical. Através de uma modelação específica de frequências, o som é explorado no sentido de impactar diretamente o corpo dos seus utilizadores ou outros materiais. Seja para ouvir, para sentir com o tacto ou para colocar objetos em movimento, propõem-se o jogo dirigido a crianças, jovens e adultos, enquadrado em regimes de ensino regular, em contexto de necessidades educativas especiais ou em actividades pedagógicas alternativas aos sistemas de ensino convencionais.
ISAsoundBOX é, assim, um lugar de brincar com caixas que fazem som e, como tal, é também um lugar de aprendizagem. Abdicando de regras específicas de utilização, o jogar consiste no processo de descoberta dos objectos através da interação com dispositivos tecnológicos de utilização simples, inseridos num repertório de abordagens em torno do som através de objetos de fácil acessibilidade. Enquadrado tanto no contexto museológico como no de workshops orientados por um mediador, a exploração permite um contacto direto numa relação depurada entre a fisicalidade do público e a dos agentes materiais que reagem e dialogam sonoramente com os seus utilizadores.
Tirando partido de diversos dispositivos tecnológicos, tais como altifalantes sub-woofers, ecrãs tácteis, sensores de movimento ou de toque, organizados através de programação informática específica, ISAsoundBOX participa num desafio de reinvenção tecnológica, contrariando a obsolescência da alta tecnologia contemporânea. Tablets descontinuados, comandos de consolas de videojogos, entre outros dispositivos, são reprogramados e reconfigurados com o objetivo de expandir o enorme potencial que novas relações entre este género de objetos permitem alcançar.
o historial e contexto criativo
ISAsoundBOX é um projeto com co-direção entre o músico, pianista e compositor Simão Costa e o cenógrafo e artista plástico João Calixto, centrado num fascínio comum pelos objetos e pelas suas potencialidades poéticas. Parte de um conjunto de princípios que permitem utilizar objetos de uso comum – flight cases, tablets, sub-woofers, aplicações informáticas, etc. – e reconfigurar quer as suas funções quer o modo como nos relacionamos com estes.
Nesta coleção, cada peça tem a sua especificidade e a sua história, mas trabalham como uma rede de objetos e experiências que se vão desenvolvendo e crescendo como um rizoma. Influenciando-se umas às outras, vão também ganhando as suas especificidades e as suas identidades. Assim, esta coleção tende a crescer tanto como coleção, mas também dentro da especificidade de cada um dos seus elementos, graças à participação do público que, ao explorar as suas características, reinventa e abre possibilidades para cada um dos objetos.
Esta coleção divide-se em duas abordagens distintas. Uma que parte da reinvenção de flight cases e das suas funções; e uma outra que pressupõe a concepção de caixas concebidas de raíz através de técnicas de fabricação digital utilizando Valchromat. As primeiras têm um carácter exploratório prototipal, que tendem a crescer mediante a sua utilização; as segundas respondem a convites específicos por parte de instituições e são, de um certo ponto de vista, customizáveis e adaptadas a contextos específicos de utilização dentro do espírito de investigação artística que aqui se propõe.
O historial do ISAsoundBOX conta já com uma longa experimentação desde 2013, tendo colaborado com diversas instituições, das quais se podem destacar a Fundação Calouste Gulbenkian, a Naturpark Zirbitzkogel-Grebezen (Steiermark, Áustria), a Sociedade Voz do Operário, a Oficina da Criança de Montemor-o-Novo e Oficinas do Convento – Associação Cultural de Arte e Comunicação, entre outras. Conta actualmente com seis peças dentro do seu repertório e com inúmeras ações dentro do âmbito da pedagogia pela arte e de intervenção museológica.
as biografias
Simão Costa, Lisboa 1979.
Pianista e compositor formado pela Escola Superior de Música de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa e pelo Hogsshool Musiek und Dans Roterdam (2002). Curioso por natureza e auto-didata por convicção, este artista multifacetado abraça a composição musical, artes digitais e interativas, artes visuais, construção de instrumentos e software na busca das ferramentas necessárias ao seu percurso multidisciplinar fomentado por relações com outras áreas disciplinares de natureza artística ou em diálogo com a ciência e novas tecnologias. Disciplinas como neurociências, percepção e psico-percepção, acústica musical ou estudos sobre sinestesia são recorrentes no seu trabalho e investigação artística. Desenvolve projetos de criação assinando a solo ou em co-criação com outros artistas, nomeadamente Dança de Materiais Inertes (em colaboração com Marta Cerqueira), c_Vib e SYN.Tropia, (em colaboração com Yola Pinto) ou SAS Orkestra de Rádios (em colaboração com Ana Trincão e Sónia Moreira). Expõe individualmente desde 2007. O seu trabalho foi apresentado em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Polónia, Holanda, Reino Unido, Itália, Suécia, Áustria, Estónia, Roménia, Brasil, Chile e Uruguai. Paralelamente desenvolve funções de professor de piano (1998-2019) e mediador cultural em várias instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian (2008-19), Culturgest (2009-11), Fundação Coleção Berardo (2012-13).

João Calixto, Lisboa 1978.
Artista plástico e cenógrafo formado em Desenho e Escultura pelo AR.CO – Centro de Arte e Comunicação (1994-99) e Mestrado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa (2013). Centrado nas questões materiais das artes performativas, explora os potenciais dos objetos e das suas relações entre si, com o corpo humano e com o espaço envolvente. Convicto que a cenografia é mais que um fundo ilustrador, desenvolve projetos de criação teatral onde a materialidade do mundo é o principal elemento dramatúrgico. Através de uma paixão tecnológica por um abrangente universo de técnicas de construção, propõe-se a fundir técnica e linguagem em objetos artísticos de várias índoles. Desenvolve o seu trabalho como criador de produções teatrais próprias e em colaborações como cenógrafo e construtor de objetos. Assina a direção das criações As Pequenas Cerimónias (2007), A Debandada (2011), Mecânica 1 e 2 (2012) e, em parceria com Frederico Lobo, Ampliador (2015). Desde 1998 envolvido com teatro, rua, circo, dança e cinema, os seus trabalhos foram apresentados em Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Holanda, Bélgica, Alemanha, Áustria, Eslovénia, Letónia, Brasil, Colômbia e Coreia do Sul. Lecciona cenografia, manipulação e construção de objetos desde 2006. Desde 2016, exerce funções de Prof. Adjunto Convidado no Dep. de Teatro – Ramo de Design de Cena, da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.